sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
domingo, 6 de janeiro de 2008
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
O mar e tu...
O mar e tu...
E eu aqui desesperando na saudade tua, do teu abraço que não chega nunca...
domingo, 16 de dezembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Todo o tempo do mundo...
Eu sei
O tempo é todo o tempo do mundo
Sem horas. Bastas tu para que o tempo avance sem nós…
Quase nunca vens já e eu não sei a história para contar
Eu sei
Já não tenho memória…
domingo, 21 de outubro de 2007
Navio de espelhos...
Fico aqui
Interminavelmente, a imaginar-te, a vinda
À tua espera, tardiamente, a ida
João 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Gymnopedie nº 1
És uma espécie de brisa
Com velas dos barcos que povoam os meus sonhos
Rodopias à volta dos meus braços
Enquanto eu, só, te imagino aqui
Neste jardim de amantes de outrora
E tu
Meiga
Contas-me segredos ao ouvido
E eu
Inebriado de ti
Dedilho-te. Um som límpido cristalino
Por entre os dedos
Espécie de piano longo de cauda
Onde a chuva pousa suavemente
Em lágrimas de orvalho frio
Enquanto o dia se deita
Agora cansado
Das voltas que dás por dentro de mim…
João 2007
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Quem é você?
Perguntas-me o que escrevo?
Invenções da memória. Respondi-te, o olhar tão distante...
João 2007
domingo, 9 de setembro de 2007
Esse sabor...
Oficio de amar
Já não preciso de ti
Tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
Tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o remorso
Um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
É lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
Não, não preciso mais de mim
Possuo a doença dos espaços incomensuráveis
E os secretos poços dos nómadas
Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
Deixei de estar disponível, perdoa-me
Se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo
O último coração do sonho, Al Berto
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Beijo...
...Outro dia e eu aqui, os olhos fechados a tentarem disfarçar o tempo das horas.
Deito-me. abandono-me nesta cama que já foi tua. Onde fizemos amor a primeira vez. Amortalho o pensamento, esqueço-me de mim próprio. Quando me deito fico numa espécie de êxtase, narcotizado. Uma espécie de torpor bamboleante, como se estivesse a bordo a dormir no meu pequeno beliche e o som da água de encontro ao casco a adormecer-me como uma canção de embalar...Quero adormecer e afastar-me de ti. Vou na boleia do veleiro que arreou as velas há pouco, e rumo a um sul sempre demasiado a sul de ti, e de mim...
...Amanhã, o dia será outra vez com vinte e quatro horas, e no alvor, os barcos lançam as redes em busca da sardinha cor de prata. E o sol vai nascer a leste de mim, por detrás das montanhas, e das hélices enormes na serra que aproveitam o vento a gerarem a energia limpa. O campo de milho vai estar lá, ali junto ao sopé da serra, separado pela estrada negra, e os carros vão passar para um lado e outro, rápidos. E por vezes, as ambulâncias com toda a aflição dos tempos, correm contra o tempo escasso. Os minutos que marcam a salvação ou a morte...
...Eu fico aqui, junto ao mar, como faço sempre. A envelhecer. Abandonado como uma carcassa de um velho barco. Na praia. A envelhecer de saudade. A envelhecer de amor. Nem eu sabia que o amor nos torna velhos e abandonados como os barcos que amo. Espécie de alma que os barcos tem....
" De subito desaba a tempestade" excerto,
João 2007
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Falamos depois...
...Até parece que não sou deste tempo. Sou. Mas sou muito ausente. Essa é a verdade que descubro aos poucos em mim. Restam-me as palavras a ti. Não te digo que te amo. Estaria a mentir. Porque para amar temos que ser dois, esta é uma constatação que observo. Temos que ser dois no mínimo e eu não existo. E tu és uma artista na tela da tal sala do cinema com as paredes negras e o som surround. E tenho no momento uma janela de onde observo a rua torta e deserta. O céu meio cinza que hoje choveu. Quatro rosas tardias numa cor rosada e lavada pela chuva. Um diospireiro quase sem folhas e sem frutos. E este é o mundo que observo no momento, o mundo real. E na rua, às vezes, mas raramente, passa um carro com pessoas dentro, que são outros mundos e outras histórias que não quero nem posso nem devo conhecer, porque são de outro tempo, o tempo delas. E o meu tempo é teu. Hoje é por inteiro teu. Hoje só tu existes em mim. És tu que bates ritmada no meu coração, o músculo grande e vermelho como as rosas de paixão que te falei és tu. E andas por dentro de mim, descobres-me todo na plenitude. Vais a cada poro do corpo, a cada vaso capilar, à ponta dos dedos, até à ponta dos meus cabelos já grisalhos. Descobres-me totalmente...
"Na minha cabeça passam muitas histórias ao mesmo tempo" excerto
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Cá estamos nós outra vez...
...Que te dizer se também eu sinto a ausência que escreves...Tens razão, resta-nos a memoria cada vez mais cansada. Um tremendo cansaço para guardar...
Podia dizer-te que escrevo para ti de memória. Em tua memória.
Não é verdade!
Escrevo uma invenção da memória a ver se coincide com a tua memória minha e te lembras de mim um dia e então regresses à minha memória de hoje em que me sinto angustiado...
João 2007
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Só aqui nas palavras ...
...Só aqui sinto os dias claros que passei contigo e todos os outros cinzentos quando foste embora.
Só aqui o poeta te escreve da saudade porque queria o tempo todo e um dia pode ser a eternidade...
"Só aqui nas palavras magoadas pelo silêncio eu te consigo achar", excerto.
João 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Encosta-te a mim...
...Retomo as palavras. As minhas palavras. A minha escrita. Não importa que nunca venhas a ler o que escrevo dedicado a ti...
...Nada é importante agora porque ficam e são só palavras, e as palavras perdem-se no tempo, são frias porque nunca conseguem transmitir o que se sente por dentro. Mesmo que as palavras sejam as mais belas não passam de palavras estáticas e mortas. Só o sentir é vivo porque bate no peito, circula nas veias, nos faz sentir calor e frio ao mesmo tempo.
Todas estas palavras para te dizer que estou cansado e me sinto impotente, vencido. Tu ganhas, e não sei se alguma vez isto foi uma batalha. Mas tu ganhas. Preciso de um tempo, um pouco de tempo para descansar. O coração ressente-se de novo...
...Todos os marinheiros são loucos e temerários e sonham...
Adeus
Hoje parto para a minha ilha no outro lado do mundo...
"Foste um capítulo e eu queria que fosses um livro na minha vida" Excerto
João 2006
domingo, 1 de julho de 2007
Ilumina-me...
...Eu sei como és. Imagino como és, quero crer como és. E no meu pensamento tu és tudo o que eu quero que sejas, porque o pensamento é puro, se calhar não deste tempo tão conturbado, frio, e cruel. E imagino-te sempre por inteiro, esse é um facto, não te consigo imaginar pela metade ou por um terço, ou por um quarto. Se calhar existem pessoas que imaginam assim conforme os apetites ou as conveniências ou outra coisa qualquer. Eu não. Pode ser um defeito meu, mas quando imagino, imagino na plenitude, com pormenores, cores, cheiros, pequenas coisas que constroem a sensibilidade do olhar, a primazia do sentir, o momento único e inexplicável por palavras. O meu mundo imaginário é fantástico. É pena que não consiga trazer-te até ele e mostrar-te como verdadeiramente é. Como te sinto em mim. Mas isso é uma missão impossível porque está para além do mundo físico e visível. Uma sensação quase como a que sentimos ao ver um nascer do sol em mar alto, ou uma musica que nos penetra a alma.
Cartas 2006, Excerto
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