Vou por esta rua, esta cidade escura e fria As sombras são a companhia. O som dos passos, a música que ouço Chove. Uma espécie de lágrimas doces e suaves Um choro de menino baixinho Vou abandonado e ausente De olhos fechados. Vou só Sou o homem que transporta os sonhos guardados Nos bolsos vazios Espécie de Lisboa
Eu sei O tempo é todo o tempo do mundo Sem horas. Bastas tu para que o tempo avance sem nós… Quase nunca vens já e eu não sei a história para contar Eu sei Já não tenho memória…
És uma espécie de brisa Com velas dos barcos que povoam os meus sonhos Rodopias à volta dos meus braços Enquanto eu, só, te imagino aqui Neste jardim de amantes de outrora E tu Meiga Contas-me segredos ao ouvido E eu Inebriado de ti Dedilho-te. Um som límpido cristalino Por entre os dedos Espécie de piano longo de cauda Onde a chuva pousa suavemente Em lágrimas de orvalho frio Enquanto o dia se deita Agora cansado Das voltas que dás por dentro de mim…